sexta-feira, 5 de abril de 2013


1.3

Ele se senta em minha frente com seus olhos de desejos
E eu me ofereço como um café

2.3
Bebemo-nos
Partimos do fato de que não podemos mais nos abandonar
Que tentamos de tudo
Que sangramos a arte pelo necessário de viver

3.3
Proibidos forjaremos a canção ideal
Teremos sapatos de rotina e olhos turvos de uma cegueira branca
Diremos amenidades entre os homens
Deitaremos os cantos dos lábios
Compraremos inverdades
De papel passado nossa covardia nos terá
Até que a morte nos separe...
Seremos o que jamais quisemos ser.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Esc


Onde foi que a flor se despedaçou?
Fomos guiados
Paramos aqui
Nossa geração está atônita
Não sabemos se voltamos ou apenas aceitamos os fatos
Esperamos que aconteça
Nós que pensávamos que faríamos a diferença
Apenas apertamos os botões
Inúteis
Dizemos que queremos e queremos
Mas pouco de fato fazemos
E as nossas ganas nos engasgam
Então apertamos mais botões
E vemos as coisas lindas que ainda existem
Indo embora
Sem nos levantarmos da cadeira
Perdemos a força para acreditar...
Esc.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Reflexão


O amor é um conceito criado
Cada um ama de um jeito
Não tem como definir e colar um rótulo bonitinho
E só querer o que estiver naquele molde que eu entendo
Como bem disse Cazuza.
"Pra quem não sabe amar fica esperando alguém que caiba no seu sonho" 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ela


Estou cansado.
Amanhã eu sei que não vou segurar
Ela virá me tomar
E então estarei perdido para sempre.
Ela me aguarda com olhos abertos.
Sabe que tenho medo.
Sabe que este é meu fim.
Possivelmente o meu fim.
Um preço a ser pago por lutar tanto.
Ela quer me vencer...
Diz.
-Sou tua redenção!
Eu me controlo como posso.
Mas quando ela me quiser.
Então não responderei por mim.
Estarei sozinho.
Não haverá quem entenderá meu grito.
Me estudarão mãos frias.
Frias na minha pele então de fogo.
E nunca poderei saber se será
A liberdade ou a prisão.
Ela canta:
-Amanhã...Amanhã.
Você vem?
Eu sinto.
Eu tenho tanto frio.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Extra! Extra!




Ser privado
Privilegiado num mundo de teias invisíveis.
Foi subitamente raptado por antenas submissas.

Encantam-se os olhos vagos!
Escaram-lhe o peito
E eis que dentro dele...
Está uma grande pedra no meio do caminho.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sei que os ventos são sabios

 
 
 
Não tenho ideia de onde você esteja.
Mas serei paciente.
Ancorando meu barco na espera de outros ventos.
Precisando de acasos para ir vivendo.

Prometo não desesperar-me.
Se o mar  se agigantar sobre meu pequeno barco.

Sei que os ventos são sabios
E que minha rota estará salva.
Seja ela qual for.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um número imensurável de idéias deveriam virar lixo agora.

Um número imensurável de idéias
Deveriam virar lixo agora.

E eu digo pra mim também.
Por que me esqueço de jogar fora meus entulhos.
E quando me dou conta estou carregando peso demais.

Meu Deus!
Tantas tolices nos fazem chorar.

Porque esquecemos que tudo são criações.
E que não fomos nós que as criamos.
Nós só compramos o jogo.

E estamos jogando com tudo.
À toda prova pra provar que somos...
Que somos o que?

Normais.

Mas quem criou esse conceito?
Certamente alguém terrivelmente com medo.
De suportar a solidão de ser único.