sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Henri



Seu grande infeliz
Você estragou toda a trapaça
Abriu as cortinas poeirentas
Deixou a verdade à mostra
Seu grande infeliz
Queimas-te teus desejos na embriagues das ruas
Soltaste teu grito na “comunhão” da casa
Fizeste da desilusão tua dama
E agora temos que ver
Não nos resta nada alem de saber.
Estamos cansados estamos desarmados
Enquanto tu solta tua irônica risada
E da bons goles na boca da garrafa.

Rosa




Vejam meu sopro de flor
Minha dor
Minha vaidade
Ardendo em toda parte naqueles que por desejo
Deixaram para traz o medo
Espetando seus dedos.
Desvanecendo-me ao vento meu olor
Sou
Basta me ser
Sem mais alegorias
Causar a covardia dum infante colhedor
Morrer nas mãos esperançosas de uma bela
Por amor.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Trapaças



Ela gosta do jogo que ele joga
Submete-se por prazer e eu não sei o que ela quer.
Sei bem as peças que ele move.
Bem sei que ela também o sabe
Então por quê?
Será que ela acha graça de ver-se dominada?
Será que testa pra se saber?
Ter o coração nas trapaças que ele acha ser onde ela vai perder.
Quem ganha, quem perde?
Ganhar, que emoção!
Mas acho mais divertido ter o premio repartido quando se fala de paixão.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Descobridor



Qual teu verdadeiro nome?
Este que te deram não creio seja teu.
Qual alma teu corpo esconde?
Quem te fez assim tão presa?
Criatura tão de terra achando ter estradas que levem de quem é.
A ilusão é tua dona
O esquecimento teu remédio
Cego é teu coração
Tateando vais na escuridão onde te encerra.
Pobre animal feito de dor.
O que te salvará nesta selva?
Tens fome e nem sabe de que!
Sofre tua solidão
Quando busca abrigo
Em outros corpos torpes e cegos como o teu.
Qual teu nome?
Quem verdadeiramente é de baixo de tanta carne?
Humana criatura
Feita de desejo e culpa
Que se nega quando quer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

os homens




Hoje os vi na rua
Os homens
Os vi quando passavam depressa
Pegavam um trem lotado,
Acotovelavam-se.
Os vi nos carros
Velozes, praguejando contra o tempo
Se engavetando...
Olharam-me alguns de modo tão estranho.
Pensei:
-Será que este é meu mundo?
Não sei não,
Mas acho que errei o caminho de casa

Na doce cava das palavras




Gosto de beijar a doce cava das palavras, bem onde sei derramam seu leite
As entrelinhas...
Gosto das suas curvas na reta da linha
E de tudo aquilo que não sabem conter.
Guardo as palavras no meu leito silencioso.
As deixo amanhecer a seu tempo.
Após o café...
Umas ainda ficam vibrando pelo meu corpo
Outras vão, não sei nunca se regressam
O que não sei é por que me causam tanta coisa!
Acho que é por que me deparo com minha humanidade tão frágil
E este medo de ser um ser só
Sem comunicar quem sou.
Acho que é.
Nunca sei de fato, mas sinto...
Sinto tão intensamente!
Que nem sei.

Vou versar versando



Vou (versar) versando
Veremos no que vai dar.

Você vai ai pensando
E eu aqui olhando vou a te pensar

Deixa teus assombros soltos no olhar?!

Vou versar versando.
Deixa, eu quero ver…

Teus medos escorrendo pra dizer (dizendo)
Algo sem querer

Se eu for muito humano
Desculpe meu humanizar

É que de tanto amo
Vou (amar) amando
Vou amar… Amar.